Os
PERFUMES
O
perfume é o invólucro invisível,
Que
encerra as formas da mulher bonita,
Bem
como a salamandra em chamas vive,
Entre
perfume a sultana habita.
Escrínio
aveludado onde se guarda,
Colar
de pedras a beleza esquiva,
Espécie
de crisálida onde mora,
A
borboleta dos salões , a Diva.
E
ali, silfos travessos , traiçoeiros,
os
perfumes emigram para as belas,
trocam
lábios de virgens por boninas
trocam
lírios por seios de donzelas!
E
ali silfos travessos traiçoeiros,
Voam
cantando em lânguido compasso,
Ocultos
nesses cálices macios,
Das
covinhas de um rosto ou dum regaço.
Vós,
que não entendem a lenda oculta,
A
linguagem mimosa dos aromas,
De
Madalena olham apenas,
Como
um primor de orientais redomas.
E
não vedes que ali na mirra e nardo,
Vai
toda a crença de judia loura,
Q
que o óleo que lava os pés do cristo,
É
uma reza também de pecadora.
Por
mim eu sei que há confidência ternas,
Um
poema saudoso , angustiado,
Se
uma rosa de há muito emurchecida,
Rola
acaso de um livro abandonado.
O espírito
talvez dos tempos idos,
Desperta ali
como invisível nume,
E o
poeta murmura suspirando:
´´
Bem me lembro... era este o seu perfume!´´
E
que segredo não revela acaso,
De
uma mulher a predileta essência?
Ora
o cheiro é lascivo e provocante!
Ora caso,
infantil, como a inocência!
Ora
propala os sensuais anseios,
D´alcova
do Ninon ou Margarida!
Ora
o mistério divinal do leito,
Onda
sonha Lívia adormecida.
Aqui,
na magnólia de Celuta,
Lambe
a solta madeixa, que se estira,
Unge
o bronze do dorso da cabocia,
E o
mármore do corpo da Livia,
É
que o perfume denuncia o espírito,
Que
sobas as formas feminis palpita,
Pois
como a salamandra em chamas vive,
Entre
perfumes a mulher habita.
AUTOR:
C A
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