domingo, 25 de outubro de 2015

Os PERFUMES

Os PERFUMES

O perfume é o invólucro invisível,
Que encerra as formas da mulher bonita,
Bem como a salamandra em chamas vive,
Entre perfume a sultana habita.

Escrínio aveludado onde  se guarda,
Colar de pedras    a beleza esquiva,
Espécie de crisálida onde mora,
A borboleta dos salões , a Diva.

E ali,  silfos travessos , traiçoeiros,
os perfumes emigram para as belas,
trocam lábios de virgens por boninas
trocam lírios por seios de donzelas!

E ali silfos travessos traiçoeiros,
Voam cantando  em lânguido compasso,
Ocultos nesses cálices macios,
Das covinhas de um rosto ou dum regaço.

Vós, que não entendem a lenda oculta,
A linguagem mimosa dos aromas,
De Madalena olham apenas,
Como um primor de orientais redomas.

E não vedes que ali na mirra e nardo,
Vai toda a crença de judia loura,
Q que o óleo que lava os pés do cristo,
É uma reza também de pecadora.
Por mim eu  sei que há confidência ternas,
Um poema saudoso , angustiado,
Se uma rosa  de há muito emurchecida,
Rola acaso de um livro abandonado.

O espírito talvez dos tempos idos,
Desperta  ali  como invisível nume,
E o poeta murmura suspirando:
´´ Bem me lembro... era este o seu perfume!´´

E que segredo não revela acaso,
De uma  mulher a predileta essência?
Ora o cheiro é lascivo e provocante!
Ora caso, infantil, como a inocência!

Ora propala os sensuais anseios,
D´alcova  do Ninon ou Margarida!
Ora o mistério divinal do leito,
Onda sonha Lívia adormecida.

Aqui, na magnólia de Celuta,
Lambe a solta madeixa, que se estira,
Unge o bronze do dorso da cabocia,
E o mármore do corpo da Livia,

É que o perfume denuncia o espírito,
Que sobas as formas feminis palpita,
Pois como a salamandra em chamas vive,
Entre perfumes a mulher habita.


AUTOR: C A










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