domingo, 25 de outubro de 2015

A MULHER

A MULHER

´´A mulher sem amor é como o inverno,
Como a luz das antelas no deserto,
Como     espinho de isoladas fragas,
Como das ondas o caminho incerto.

A mulher sem amor é maçanilha,
Das ermas plagas sobre o chão  crescida,
Basta-lhe à sombra repousar uma hora,
Que seu veneno nos corrompe a vida.

De eivado seio no profundo abismo,
Paixões repousam num sudário eterno.
Não há canto nem flor, não há perfumes,
A mulher sem amor é como o inverno.

Sua alma é um alaúde desmontado.
Onde embalde o cantor procura um hino,
Flor sem aroma, sensitiva morta,
Batel nas ondas a vaga sem tino

Mas, se um raio do sol tremendo deixa,
Do céu nublado a condensada treva,
A mulher amorosa é mais que um anjo,
É um sopro de Deus que tudo eleva!
Como o árabe ardente e sequioso,
Que a tenda deixa pela noite escura,
E vai ao seio de orvalho lírio,
Lamber a medo a divinal   frescura.

O poeta a venera no silêncio,
Bebe o pranto celeste que ela chora,
Ouve-lhe os cantos,  que  lhe perfuma   a  vida,
A mulher amorosa é como aurora.``




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