A
BELA DORMECIDA
Meia-noite
de junho, sob a lua,
Que,
nos espaços, mística, flutua,
Fusca,
de ópio e de orvalho, uma neblina,
E,
gota a gota, levemente ganha o cimo silencioso da montanha,
Para
descer, docemente e musical,
Ao
coração do vale universal,
Cursa-se
o rosmaninho sobre a lousa,
Deita-se
o lírio ocioso sobre a vaga,
E,
trajando da bruma a veste maga,
A
Vênus, em ouro, repousa.
Como
se o Éden fosse, o largo dorme,
E,
consciente imerge em sonho profundo,
Nada
o despertaria neste mundo,
Dorme
a beleza, em sonho de criança.
Com
sua pureza aberta à luz do céu profundo,
LIVIA,
como um gesto tão sutil e delicado,
Sobre
as fechadas pálpebras de alfombra,
Onde
tua alma, a dormir, se encontra oculta.
Nadas
temes, então, linda senhora?
Por
que sonhas? Que estás sonhando agora?
Vieste,
por certo, de longínquo mar,
Para
as árvores de este horto enfeitiçar!
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