domingo, 25 de outubro de 2015

A BELA DORMECIDA

A BELA  DORMECIDA

Meia-noite de junho, sob a lua,
Que, nos espaços, mística, flutua,
Fusca, de ópio e de orvalho, uma neblina,
E, gota a gota, levemente ganha o cimo silencioso da montanha,
Para descer, docemente e musical,
Ao coração do vale universal,
Cursa-se o rosmaninho sobre a lousa,
Deita-se o lírio ocioso sobre a vaga,
E, trajando da bruma a veste maga,
A Vênus, em ouro, repousa.
Como se o Éden fosse, o largo dorme,
E, consciente imerge em sonho profundo,
Nada o despertaria neste mundo,
Dorme a beleza, em sonho de criança.
Com sua pureza aberta à luz do céu profundo,
LIVIA, como um gesto tão sutil e delicado,
Sobre as fechadas pálpebras de alfombra,
Onde tua alma, a dormir, se encontra oculta.
Nadas temes, então, linda senhora?
Por que sonhas?  Que estás sonhando agora?
Vieste, por certo, de longínquo mar,
Para as árvores de este horto enfeitiçar!
                                                       


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