sábado, 26 de dezembro de 2015

JESUS FILHO DE DEUS E DE PELE NEGRA

JESUS FILHO DE DEUS E DE PELE NEGRA.
Porque,
Talvez,
Ele apareça mancando,
Para os que tiveram ojeriza de aleijados.
Talvez apareça raquítico,
Para os que riram dos físicos fracos.
Talvez apareça negro para os racistas,
Talvez por si dizer filho de Deus,
Era considerado louco.
E que hoje pinta a sua imagem,
Em quadros artísticos,
Como se tivesse o biótipo europeu,
Sendo que ele nasceu no Oriente Médio,
Território de pessoas de epiderme morena!
Hipócritas racistas!
Que tem vergonha da própria cor da epiderme de Cristo!
Paulo Da Silva

DEUS DECEPÇÃO
Eu,
Cheio de preconceitos,
Racistas!
Eu, com falsos conceitos Neonazistas!
Eu,
Detestando pretos,
Eu,
Sem coração...
Eu,
Perdido num coreto,
Gritando: ´´ Separação``!
Eu,
Você,
Nós... nós todos,
Cheios de preconceitos,
Ungindo como se eles carregasse lodo,
Lodo na cor...
E com petulância,
Arrogância,
Afastando a pele irmã.
Mas
Estou pensando agora:
E quando chegar minha hora?
Meu Deus, se eu morresse amanhã,
De manhã?

Numa viagem esquisita,
Entre nuvens feias e bonitas,
Se eu chegasse lá.
E um porteiro manco,
Omo os aleijados que eu gozei,
Viesse abrir a porta,
E eu reparasse em sua vista torta,
Igual àquela que eu critiquei?
Se sua mão tateasse pelo trinco,
Como as mãos do cego que não ajudei?

Se uma criança me tomasse pela mão,
Criança como aquela que não embalei?...

E me levasse por um corredor florido,
Colorido,
Como as flores que eu jamais dei?
Se eu visse as paredes caindo,
Como as das creches e asilos que não ajudei?

E se a criança tirasse corpos do caminho,
Corpos que eu não levantei.

Dando desculpas de que eram bêbados,
Mas eram epiléticos.
Que era vagabundagem,
Mas era fome!

Meu Deus!
Agora me assusta pronunciar seu nome!

E se mais para a frente,
A criança cobrisse o corpo nu,
Da prostituta que eu sei,
Ou do moribundo que não olhei,
Ou da velha que não respeitei,
Ou da mãe que não amei?...

Corpo de alguém exposto
Jogado por minha causa,
Porque não estendi a mão,
Porque no amor fiz pausa,
E dei, sei lá, só dei desgosto!

E, no fim do corredor, o início da decepção!
Que raiva, que desespero,
Se visse o mecânico, o operário,
Aquele vizinho, o maldito funcionário,
E até, até o padeiro,
Todos sorrindo não sei de quê!

Ah sei sim, riem da minha decepção.

Deus não está vestido de ouro!
Mas como???
Está num simples trono:
Simples como não fui,
Humilde como não sou.

Deus decepção!

Deus  na cor que eu não queria,
Deus cara a cara, face a face,
Sem aquela imponente classe,
Deus simples! Deus negro!

Deus negro!
E eu...
Racista,
Egoísta,
E agora?

Na terra só persegui os pretos,
Não aluguei casa, não apertei a mão.

Meu Deus você é negro, que decepção!

Não dei emprego, virei o rosto.
E agora?
Será que vai me dar um canto,
Vai me cobrir com seu manto?
Ou vai me virar o rosto no embalo da bofetada que dei?

Deus, eu não podia adivinhar.
Por que você se fez assim?

Porque que se fez preto,
Preto como o engraxate,
Aquele   que expulsei da frente de casa!

Deus pregaram o seu filho na cruz,
E você me pregou uma peça:
Eu me esforcei à Bessa.
Em tantas coisas,
E cheguei até a pensar em amor,
Mas nunca,
Numa pensei em adivinhar sua cor!
Autor: Neimar De Barros


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