quarta-feira, 28 de outubro de 2015

QUANDO AS PESSOAS CANTAVAM.



QUANDO AS PESSOAS CANTAVAM.

´´No tempo em que eu era menino,
As pessoas gostavam de cantar,
Não eram todas as  pessoas,
Porém muitas pessoas,
Cantavam.
Principalmente as mulheres,
Acalentando a criança,
Varrendo a casa,
Lavando roupa,
Cozinhando,
Socando o pilão.

Os homens também cantavam,
O sapateiro tenor,
O barítono ferrador.
E no começo da noite,
O pregão melancólico, choroso,
Do pipoqueiro,
Que com seu  carrinho do fogo,
Incendiava a escuridão da rua.

Na  minha triste cidade,
O  povo não canta mais,
Porque a desesperança e muda,
E não há mais mistério de ilusão,
Na angustia antevista do futuro.``

OS DOIS EUS.



OS DOIS EUS.
´´Eu-criança,
Queria que o milagre de Natal,
Se realizasse em brinquedos,
Brinquedos que me dessem,
O mundo mágico,
O mundo livre,
O mundo feliz dos adultos.
E eu percorria estradas,
Cortava os ares,
Cruzava os oceanos,
O que eu não fazia,
Sob o sorriso indulgente,
De meus pais!

Eu-adulto,
Quisera que o milagre de Natal,
Fizesse-me voltar àquele tempo,
Eu então realizaria o desejo,
De contemplar outra vez,
Mas com a avareza,
A consciência de adulto,
O milagre do amor se revelando,
No sorriso indulgente de meus pais. ``

OS DOIS EUS.



OS DOIS EUS.
´´Eu - criança,
Queria que o milagre de Natal,
Se realizasse em brinquedos,
Brinquedos que me dessem,
O mundo mágico,
O mundo livre,
O mundo feliz dos adultos.
E eu percorria estradas,
Cortava os ares,
Cruzava os oceanos,
O que eu não fazia,
Sob o sorriso indulgente,
De meus pais!

Eu-adulto,
Quisera que o milagre de Natal,
Fizesse-me voltar àquele tempo,
Eu então realizaria o desejo,
De contemplar outra vez,
Mas com a avareza,
A consciência de adulto,
O milagre do amor se revelando,
No sorriso indulgente de meus pais. ``

NÃO TE ESQUEÇAS DE MIM



NÃO TE ESQUEÇAS DE MIM

´´Não te  esqueças de mim, quando erradia.
Perde-se a lua no sidero manto;
Quando a brisa estiva roçar-te a fronte,
Não  t esqueças de mim, que te amo tanto.

Não te esqueças de mim, quando escutares,
Gemer a rola na floresta escura,
E a saudosa viola do tropeiro,
Desfazer-se em gemido de tristeza.

Quando a flor do sertão , aberta a medo,
Pejar  os ermos de suave encanto,
Lembre-te os dias que passei contigo,
Não te esqueças   de mim, que te amo tanto.

Não te  esqueças de mim, quando à tardinha,
Se cobrirem de névoa as serranias,
E na torre alvejante o sacro bronze,
Docemente soar nas freguesias!

Quando de noite, nos serões de inverno,
A voz soltares modulando um canto,
Lembre-te os versos que inspiraste ao bardo,
Não te esqueças  de mim, que te amo tanto.

Não esqueças  de mim, quando meus olhos,
Do   sudário no  gelo se apagarem,
Quando as roxas perpétuas do finado
Junto à cruz de meu leito se embalarem.``



DISTÂNCIAS



DISTÂNCIAS

´´Estrelas  brilhantes, distantes estrelas,
Pontos de luz  que o olhar atinge,
Ignorando os anos-luz,
Do impossível.


Há desejos assim,
Em distâncias vazias,
Que o pensamento percorre,
Alheio a tempo e espaço,
Esquecendo-se da exiguidade,
De vida que possui,
Para viagens sem fim.

Estrelas brilhantes,
Que não mais se encontram,
Nos pontos de luz que o olha atinge.
E se encontrasse epílogo e esperanças,
Apenas o silêncio das trevas,
Onde brilhavam promessas de luz. ``